Quarta-feira, 18 de Junho de 2008

Policias á portuguesa

Um destes dias, passei por uma situação digna de aparecer no espaço "Nós por cá" da SIC.

 

Estava eu no fim do meu dia de trabalho, já a preparar-me para mudar de roupa e voltar para casa, quando, subitamente, uma das minhas colegas que tinha acabado de sair, volta a entrar e com a maior calma do mundo diz: «Roubaram-me o carro!».

 

A minha primeira reacção, tendo em conta a pessoa em causa, foi dizer: «Eh pá, se calhar deixou o carro noutro sítio e não se lembra.».

 

Saímos todos a rua para procurar o carro, um Fiat Uno - daqueles que parece um caixão com rodas -, e nada dele.

 

Então resolvi ligar para a polícia porque a mulherzinha já não estava em estado de falar, uma vez que a calma subitamente deu lugar a uma enorme “pilha de nervos”, como se diz na gíria.

 

E é aqui que a história fica engraçada.

 

Ligo para o posto da GNR da zona, informo que o carro da senhora tinha sido roubado, e o agente coloca-me uma pergunta digna de aparecer no “Quem quer ser milionário”: «Então, mas levaram o carro todo?».

 

Como é lógico, deu-me vontade de responder ao agente alguma coisa do género: «Não, assim iam muito pesados. Deixaram aqui as rodas para irem mais leves.». Ou então: «Quer dizer, eram para levar só metade, mas como o carro estava em saldo com 50% de desconto, lá acabaram por levar tudo. Mas ainda tivemos que insistir!».

 

Já numa outra situação, quando assaltaram a carrinha do meu pai para roubar a carteira, eu liguei para a GNR e o agente diz-me carinhosamente: «Olhe, então traga aqui a carrinha para nós vermos isso.». Eu respondo: «Então, mas assim não podem analisar o carro, porque os vestígios e as impressões digitais que depois lá ficam serão as minhas.». Então, o agente responde de forma inteligente: «Arranje aí umas luvas para poder trazer a carrinha assim.».

 

Parece que já na altura a GNR andava a sentir a crise dos combustíveis.

 

Com polícias destes mais vale ser ladrão.

publicado por Jorge Miguel às 00:14
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3 comentários:
De Luís Miguel Silva a 18 de Junho de 2008 às 15:22
Tanto quanto sei, infelizmente em Portugal não se tiram impressões digitais em caso de assalto...enfim!

Hugz,
Luís
De Nordestino a 18 de Junho de 2008 às 20:10
luís, já se tiram impressões digitais em caso de assalto, chamam-se exames lofoscópicos. Em caso de assalto, é accionada uma brigada de inspecção lofoscópica que se desloca ao local ( principalmente em assaltos em residências, nas viaturas é opcional, pois se partiram o vidro traseiro, nada impede de conduzir desde que não toque no vidro). Caso positivo ( confirmam-se impressões ) são comparadas em base de dados .
De Mário Martins a 18 de Junho de 2008 às 22:32
Não vai há muito tempo que me assaltaram o carro perto da Universidade do Minho (Polo de Gualtar - Braga), levaram-me um rádio de considerável valor, danificando-me as ligações internas da antena, da energia e das colunas. Vasculharam todo o carro à procura de dinheiro e bens valiosos, como o telemóvel ou o portátil (que por muita sorte não estavam lá como de costume), chegando a abrir o banco traseiro para acederem à mala.
Apresentei participação à polícia imediatamente ao sucedido, foram 5 * comigo. Aconselharam-me em tudo, indicando-me o que podia e o que não podia fazer, se valia a pena apresentar queixa ou não, o prazo que tinha para o fazer, etc. Não é que ele me estivessem a dar novidade nenhuma, como estudante de direito que sou e finalista por sinal, sei muito bem os trâmites do processo penal, da denúncia, participação e eventualmente da queixa. Mas o facto de o terem feito demonstrou, na minha opinião, a sua seriedade e competência.
Acontece que, para espanto meu, tendo eu feito a denúncia (preferi não apresentar queixa contra desconhecidos), os polícias não diligenciaram no sentido de recolher e preservar a prova como é da sua obrigação a partir do momento em que têm notícia de crime (semi-público no caso), tal como consta do código penal na parte em que fala das medidas cautelares e de polícia. O que significa que o carro não foi objecto de qualquer tipo de peritagem. Então, mesmo que num momento posterior eu decida apresentar queixa, e mesmo que apareça o rádio, só muito dificilmente se consegue provar o autor do crime.
O valor em causa não é tão considerável que valha a pena, mas a dignidade do crime é a mesma e é precisamente por não ser dada atenção e dignidade a coisas tão pequenas como esta que, com o tempo, toda esta inacção passe a ser praxe e hábito no ceio das foras da autoridade.
Por um lado compreendo que não tenham meios, aliás, o próprio ministério público não tem meios para desenvolver a sua actividade de promoção do processo penal (como dominus inqueritum que é), dirigindo o inquérito, de forma a o completar no prazo legalmente previsto como máximo (6 meses no caso de arguidos detidos | 8 meses nos restantes casos, podendo ainda serem estes prazos dilatados para 8, 10 e 12 meses em casos de extrema complexidade).
Enfim, é triste, mas é o país que temos.

Abraços e bom post!

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